A missão do Profissional de Educação Física no auxílio físico e mental dos atletas de alto rendimento

A atleta norte-americana Simone Biles faz o mundo refletir o quanto é valiosa a união entre corpo e mente. A ginasta chegou a desistir de todas as finais em que competia nas Olimpíadas de Tóquio, alegando problemas relacionados à saúde mental. Ignorada por muitos, a saúde da mente se mostra cada vez mais essencial no dia a dia de uma sociedade movida por metas, urgências e resultados.

A atuação do Profissional de Educação Física, entre outros pontos, tem a Saúde Mental como uma das principais metas, quando tratamos dos nossos alunos no cotidiano das academias e locais similares, nas Unidades Básicas de Saúde, nas escolas, parques, praças e calçadas. Porém, quando estamos diante de uma atleta de alto rendimento, a responsabilidade em condicionar corpo e mente se torna um desafio a mais. “Atletas não são deuses e, obviamente, possuem vulnerabilidades e sentimentos. Assim como qualquer ser humano, precisam cuidar da saúde física, mental e espiritual, do sono, ter relacionamentos saudáveis, trabalho, estudo, família, amigos, enfim, viver com equilíbrio. Acredito que essa pandemia potencializou, não apenas nos atletas, esse estresse emocional, ansiedade, angústia e outros sofrimentos. Discutir saúde mental é importante demais. É preciso repensar nossas atuações profissionais. Tenho convicção de que precisamos do trabalho multiprofissional e transdisciplinar. Entender que não há hierarquia entre as profissões, mas que todos os profissionais precisam pensar de maneira sistêmica, na escola, na saúde, no esporte, no lazer, em todas as áreas. O Profissional de Educação Física é referência para fazer a diferença em todas elas”, detalha o professor Lúcio Beltrão (CREF 003574-G/PE), presidente do CREF12/PE.

Após desistir das finais da ginástica olímpica nas Olimpíadas de Tóquio, Simone Biles retornou ao tablado da Arena Ariake, nesta terça-feira (3), buscando uma vitória pessoal. Fazendo uma apresentação segura, conquistou o bronze na prova pela segunda Olimpíada consecutiva. A China ficou com as duas primeiras posições: Chenchen Guan, que já havia liderado a classificatória, foi ouro, e Xijing Tang levou a prata. A Atleta norte-americana não será a primeira nem a última atleta a sofrer na pele a pressão pelas vitórias.

Para a Profª. Ma. Ameliane Reubens (CREF 003108-G/PE), especialista em saúde mental, o caminho para o bem-estar físico e mental pode ser encontrado através da prática do exercício físico, não apenas como um ofício, mas também como lazer. “Podemos considerar que num contexto que preconiza o rigor do desempenho e performance, os níveis de estresse podem ser altíssimos, o que pode impactar diretamente na saúde mental do atleta, inclusive prejudicando-o em outras dimensões da vida, não só em seu trabalho. Esses casos também podem ser percebidos em pessoas não-atletas, com diante do nível de exigência de suas obrigações cotidianas e modos de conduzir suas vidas, e o corpo sinaliza, através de dores, dificuldades para dormir, qualidade do sono, prejuízos à memória e dificuldades nos relacionamentos e trabalho. O que chama atenção no caso da Simone Biles, é que ela teve a possibilidade, coragem de desistir da competição – competição esta que seria “a competição de sua vida” – mas ela abriu mão pela própria vida e bem-estar. A atitude de Biles demonstra como devemos perceber nosso corpo e emoções, buscar ajuda sempre que for necessário (e isso inclui também a realização de atividades físicas e práticas corporais de forma prazerosa), e também saber o momento de parar, para buscar o equilíbrio da saúde”, ressaltou a professora.

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