CREF12/PE reforça pedido às prefeituras por melhorias para a Educação Física

Conselho envia ofícios para todas as prefeituras de Pernambuco pedindo avanços na área

Piso salarial, quadra coberta, três aulas por semana, dentre outras solicitações já cobradas ao poder público, voltaram a ser tema de novos ofícios enviados pelo CREF12/PE às prefeituras do Estado. O Conselho retomou a cobrança por ações que garantam melhores condições de trabalho para os profissionais e um ambiente escolar adequado para o desenvolvimento das atividades físicas.

Nos documentos, o CREF12/PE destaca pontos considerados urgentes: assegurar o pagamento do piso salarial, ampliar a estrutura das escolas com quadras poliesportivas cobertas, garantir o mínimo de três aulas semanais de Educação Física por turma e investir continuamente na reposição de materiais. De acordo com o Conselho, essas medidas são essenciais para que a disciplina cumpra seu papel no aprendizado e na saúde dos estudantes.

Além das cobranças formais, o CREF12/PE tem intensificado articulações com órgãos de controle. Recentemente, representantes do Conselho se reuniram com o Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE) e com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) para alinhar estratégias e fortalecer a fiscalização.

Com o TCE, o diálogo passou pela necessidade de proteger os direitos da população e garantir uma gestão pública transparente. Foram discutidas formas de identificar irregularidades, combater o exercício ilegal da profissão e orientar municípios e o Estado na construção e avaliação de políticas públicas. O CREF12/PE também sugeriu que o Tribunal incentive os gestores a criar Sistemas Municipais e Estaduais de Esporte, fundamentais para organizar o setor e fortalecer a Educação Física como política estruturante.

Na reunião com o MPPE, o foco foi o cumprimento das leis que impactam diretamente o cotidiano escolar. O Conselho pediu apoio para garantir a aplicação da Lei Lucas (13722/2018), que determina a realização anual de treinamentos em primeiros socorros nas escolas. Também solicitou que o Ministério Público recomende aos municípios a garantia de três aulas semanais de Educação Física com profissionais registrados, conforme indicado no Guia de Atividade Física para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. Outras demandas envolveram a compra e reposição de materiais, climatização adequada das salas e instalação de quadras cobertas em todas as unidades de ensino.

A pressão institucional do CREF12/PE também vem repercutindo no Legislativo. Hoje, dois Projetos de Lei tramitam na Câmara dos Deputados com impacto direto na Educação Física em todo o país, ambos apresentados pelo deputado federal Felipe Carreras. O PL 3929/2019 estabelece a obrigatoriedade de ao menos três horas-aulas semanais na Educação Básica; já o PL 3500/2020 prevê que todas as escolas ofereçam quadras poliesportivas cobertas.

Em Pernambuco, iniciativas semelhantes avançam. O PL 442/2019, do deputado estadual Gustavo Gouveia, determina que apenas profissionais registrados no Conselho possam ministrar aulas de Educação Física em todas as etapas da Educação Básica, nas redes pública e privada. No Recife, o PL 31/2019, do vereador Rinaldo Júnior, reforça a mesma exigência para a rede municipal. Já na Alepe, o PL 3503/2022 trata do piso salarial estadual da categoria “bacharel”.

O estado também figura como pioneiro ao garantir meia-entrada para os Profissionais de Educação Física em eventos culturais e esportivos, conquista obtida graças a solicitação e cobrança do CREF12/PE. Além disso, o Conselho mantém vigilância constante sobre editais de concursos, cobrando que eles incluam o piso salarial e a exigência de registro profissional.

Para o presidente do CREF12/PE, Lúcio Beltrão (CREF 003574-G/PE), o trabalho acumulado ao longo dos últimos anos mostra como uma atuação técnica e contínua faz diferença. De acordo com ele, o Conselho tem ido além das atribuições tradicionais de um órgão profissional. “Os avanços são resultado de esforço conjunto, acompanhamento constante e metas claras. Temos feito bem mais do que as atividades de um Conselho Profissional. Estamos lutando de forma efetiva pelos profissionais de Educação Física e pela proteção da sociedade. Há muitas conquistas, mas seguimos atentos porque ainda há muito a fazer”, afirma.